O que é Vitalismo?
Uma introdução ao pensamento de BAP, Bergson e ao movimento que deverá guiar o futuro das novas gerações.
A Fadiga da Vida Moderna
Uma pessoa acorda todo dia com um alarme irritante que não aguenta mais ouvir, ela enfrenta horas no trânsito para ir para um trabalho que odeia, mas que se conforma, pois assim tem alguma estabilidade em sua vida. Essa pessoa passa pelo trânsito mais uma vez para voltar para casa, chega exausta, e ao chegar, se alimenta mal como forma de descontar as frustrações de seu dia interminável. Ela é viciada em apps feitos para aprisionar a atenção com disparos de dopamina barata: engaja em posts de mulheres seminuas, talvez nem bonitas, só gostosas – então ela se masturba de forma rápida e vazia –, e vai dormir para repetir o ciclo no dia seguinte. BAP – Bronze Age Pervert – em seu livro, Bronze Age Mindset, define essa pessoa como o “bugman“: um ser mantido em cativeiro na prisão da rotina moderna, conformado com a mediocridade de sua existência. Está acima do peso, é avesso a qualquer desconforto, não possui vitalidade para aspirar nada grandioso e nem acreditar em nada além de sua existência ou seu falso deus – uma suposta razão. Ele é patético, uma vida amorfa sem forma ou propósito, uma massa inerte que se multiplica sem direção.
Em contraste, os ancestrais do bugman exalavam vitalidade. Eles formavam laços profundos de irmandade e se organizavam em bandos, eram homens livres que se arriscavam diariamente sem medo de uma vida curta e uma morte bela e gloriosa. Os ancestrais do bugman desafiavam a natureza, e outros homens que ardiam em vitalidade. Eram guerreiros que forjavam e desafiavam impérios sob o sol. Faziam o que queriam, liderados pelo homem mais forte entre eles. Os ancestrais do bugman preferiam a morte à uma vida de cativeiro e escravidão. Os ancestrais do bugman, eram homens de poder.
Há um notável abismo entre o bugman e seus ancestrais. Na ancestralidade, a vida era uma luta constante pelo espaço, guiada por instinto e uma vontade primordial que fluía como uma energia pura que criava ciclos naturais de crescimento e decadência. Civilizações nasciam, floresciam e caíam, dando lugar a algo novo que herdaria sua vontade. Os fortes prosperavam e os fracos sucumbiam, uma relação imposta pela natureza que foi perdida por uma domesticação forçada que nos transforma em animais de zoológico. A vida moderna impõe uma vida de cativeiro, estressada e burocrática, onde a vitalidade é sufocada por regras invisíveis e barreiras artificiais que distorcem a ordem natural. O bugman perdeu o contato com aquilo que antes movia seus ancestrais, perdeu seu fogo interno, perdeu o apreço pelo belo e abraçou a violação patriarcal da natureza – na forma da ciência moderna – que a disseca sem reverência, tratando-a como objeto a ser dominado e que rejeita a conexão real com os sentidos e o instinto humano que prevalecia em seus ancestrais.
Em poucas palavras, o vitalismo é um ideal de culto e apreço aos ancestrais do bugman: um antídoto que rejeita a mecanicidade da vida moderna e abraça a afirmação radical da existência. É um chamado para reacender a chama da vida que encontra na força e na beleza, os impulsos que levam ao crescimento, conquista e criação. Tenha em mente que este é o primeiro texto que escrevo em meu mergulho nas obras dos principais pensadores do dito vitalismo, e portanto é uma introdução. Convido-os a embarcar comigo nessa jornada que busca analisar as estruturas da sociedade moderna para encontrar uma forma de quebrar as grades da prisão civilizacional moderna que reprime a vitalidade natural do homem.
Élan Vital e Supressão do Espaço
Acredito que seja seguro dizer que todos – ou quase todos –, em algum momento da vida, já se pegaram em uma situação de completo tédio, descendo o feed infinito de alguma rede social, sem ânimo, ou tomado por uma preguiça inexplicável de fazer algo que precisa fazer. Você não está simplesmente cansado, está vazio, não de objetivos, lhe falta algo muito maior e primordial, que vai além de explicações químicas e biológicas do seu corpo. O que te falta é uma energia criativa, uma chama, um impulso. Esta é a mesma chama que faz uma semente brotar do solo, faz um atleta de alta performance superar seus limites ou um artista criar obras que tocam a alma. É o que diferencia aquilo que está vivo daquilo que está morto. Vitalismo é a afirmação da vida e de uma existência digna que supera a decadência moderna, é abraçar a chama que nos faz crescer, lutar e criar, em vez de apenas sobreviver. Essa chama é o que nos conecta com nossos ancestrais, uma vontade primordial de conquistar e prosperar, que é nossa maior herança.
Henri Bergson, em sua obra: Evolução Criadora, propõe o conceito de élan vital – um impulso vital que anima a vida, guiando a evolução de formas simples, como amebas, até a complexidade dos humanos. É uma faísca que entra na matéria e a transforma, criando novas e diversas formas. É o que faz plantas surgirem no meio de fendas no concreto, ou o que leva um pássaro a voar milhares de quilômetros. A ciência moderna, obcecada por dissecar a realidade em pedaços, é incapaz de captar esse fluxo criativo. A pura razão nos prende a números, fórmulas, mecanismos e frieza, mas a intuição é o que realmente nos conecta com o élan vital presente na vida e na natureza. Foi assim que nossos ancestrais prosperaram por tanto tempo. Ao substituir essa intuição primordial e suprimir esse impulso vital com rotinas mecânicas e racionalidade excessiva, que caímos na apatia da prisão.
Um dos maiores problemas da ciência moderna é acreditar que a vida gira em torno de sobrevivência e reprodução, ignorando os estados de alegria e vitalidade que fazem a vida buscar espaço, expressões belas e poder que sustentam uma hierarquia natural e que transcendem a necessidade biológica. Isso acontece principalmente porque a visão darwinista acredita ter descoberto os segredos da vida através de um intenso estresse, encarcerando animais e os privando de sua natureza primordial: a busca por espaço – não apenas territorial, mas também o espaço de desenvolvimento de seus poderes inatos. Macacos vivem nas árvores para desenvolver sua habilidade de escalada, castores buscam margens de rios e juncos para desenvolver seus talentos de construção, grandes felinos - como a onça -, buscam dominar territórios extensos com uma variedade de presas para aprimorar suas habilidades de caça. O animal busca acima de tudo, ser mestre de si. Sob intenso estresse, ele irá fechar-se para si mesmo, não revelando qualquer segredo sobre o que verdadeiramente é a vida.
Essa mesma lógica é aplicada no conceito de BAP de prisão da modernidade: um sistema de regras e burocracias que nos colocam em constante estresse e suprimem a vitalidade de nossa natureza, nos transformando em seres amorfos, como células cancerígenas que crescem sem propósito e sem estrutura. A humanidade agora vive em cativeiro, em uma gaiola invisível que nos faz adotarmos vícios e comportamentos degenerados devido a supressão de nossos instintos naturais. Nosso élan vital está bloqueado, incapaz de criar formas novas porque estamos presos à uma lógica mecanicista que nos estuda como animais em um zoológico.
Apreço ao Belo

Deuses apareciam em sonhos para os gregos na antiguidade – e eles possuíam corpos mais belos que homem qualquer jamais viu. Tentando se aproximar dos deuses, os gregos buscavam essa beleza divina que ia muito além de mera estética, é a síntese da essência vital. Corpos belos e atléticos representam a natureza em seu auge, são os meios que permitem que o homem atinja seu potencial máximo e conquiste seu espaço – são os alicerces de culturas superiores. Os ancestrais do bugman esculpiram seus corpos pela luta e pela vontade, eles representam a essência da vida diferenciada: uma forma de vida organizada e hierarquizada que equilibra energia e beleza, impulsionando conquistas além da mera sobrevivência, diferente da multiplicação caótica da vida amorfa encontrada em leveduras e no câncer.
Tal beleza representa a afirmação da vitalidade e a completa negação da feiura amorfa do bugman: obeso, sedentário, deformado pela domesticação, sem estrutura ou propósito, onde o corpo reflete a estagnação interna – gordura acumulada pelo conformismo, músculos atrofiados pela falta de luta pelo espaço. O bugman passou por um processo de devolução física e mental, resultado da prisão. É preciso, entretanto, iniciar uma busca pelo corpo estrutural, belo e poderoso: um ideal onde a forma física é conquista, uma afirmação da vontade que rejeita a mediocridade. Culturas que amam essa beleza, como os gregos antigos ou os japoneses, diferem radicalmente das dominadas pela feiura ou dogmas repressivos (certas visões indianas ou islâmicas, como cita BAP), porque priorizam a estética como base para grandeza – esculturas de deuses atléticos ou rituais de honra que celebram o corpo como veículo de poder, criando sociedades vibrantes onde a vitalidade floresce, em oposição à homogeneização e que nivela todos para baixo.
A beleza não deve estar somente no corpo e na vida, mas também na morte: preferir uma partida gloriosa no auge da juventude e vitalidade, em vez de uma longevidade medíocre e decadente. É a escolha do herói que morre jovem, imortalizado pela beleza de seus atos, ecoando a ideia grega de “aner” (ἀνήρ), o homem heroico, viril e ousado e “aion” (Αἰών), uma essência imortal que persiste além da carne. Juntos, eles representam a eternidade através da forma bela. BAP usa exemplos como Conradino ou Pedro de Alvarado como espécimes superiores cuja pureza de propósito e carisma estético os elevam acima da massa, renovando civilizações pela destruição criativa, contrastando o bugman que se arrasta em obesidade e inércia, sem aspiração a tal grandeza. Para BAP, o carisma é fundamental ao vitalismo: uma qualidade inata e biológica que emana do corpo belo e vital, inspirando lealdade e ação coletiva sem esforço racional. Líderes como Alcibíades usavam seu carisma para libertar cidades pela mera força de personalidade. Hoje, temos elites burocráticas, defeituosas e degeneradas, carentes de vigor e incapazes de inspirar massas por um propósito grandioso.
No vitalismo de BAP, os homens de poder são aqueles que sintetizam perfeitamente todos os aspectos da chama da vida: figuras como Alexandre, Alcibíades, César, Cortés ou Napoleão, encarnam a vontade primordial em sua forma mais pura – carisma, ousadia, conquista de espaço, destruição criativa, liberdade e glória. São espécimes superiores que representam o ápice da vitalidade: liderando seguidores, inspirando lealdade, sendo guiados pela intuição do fluxo criativo do élan vital. Deveríamos apreciá-los e cultuá-los como arquétipos eternos que nos chamam a rejeitar a domesticação moderna. Ao venerar sua pureza de propósito que renova civilizações e eleva hierarquias naturais, inspiramos a ascensão da juventude contra a decadência, transformando admiração em ação para reacender nossa própria chama e viver em um futuro glorioso.
Uma Vanguarda Vitalista

No cenário político contemporâneo, uma vanguarda da direita americana tem abraçado o vitalismo como antídoto à estagnação conservadora tradicional, transformando-o em um movimento que prioriza energia primal, masculinidade e rejeição à modernidade burocrática – uma tendência impulsionada por figuras como BAP, cujo o livro Bronze Age Mindset se tornou um manifesto cultuado na bolha direitista jovem. Essa nova direita vê no vitalismo uma ferramenta para combater o niilismo e se destacar dos conservadores clássicos que falham em inspirar ações restauradoras no país. A juventude tem demonstrado uma clara preferência pela ação ao moralismo barato. No Brasil, influenciadores como Renato Impera, Novos Clássicos, Mídia BH e até o pré-candidato à presidência, Renan Santos - lideram um emergente movimento vitalista na juventude, tentando reacender a chama vital adormecida em uma geração que tem todos os incentivos do mundo para se tornarem um bugman.
Devemos abraçar essa direita vitalista porque ela oferece uma renovação radical contra a apatia amorfa da modernidade. Em vez de preservar instituições defeituosas e lideranças amorfas, promove a ascensão da juventude através dos pilares do vitalismo. O Brasil é uma terra fértil para grandes homens de poder deixarem seu nome na história, transformando profundamente um país decadente em uma nação gloriosa. Deixemos portanto o saudosismo para os bolsonaristas e para os comunas, e voltemos nossos olhos para o futuro que construiremos juntos. É preciso lutar por nosso espaço, nos aprimorar fisicamente e mentalmente, fortalecer nossos laços de irmandade para que possamos agir e quebrar as grades da prisão que nos torna estéreis perante a vontade dos homens fracos que detém o poder. Há quem diga que somos incapazes de causar impactos reais e que nos tornaremos a geração mais frustrada da história – pois então provemos que estes homens de pouca fé estão errados. Agora vão e cresçam, prosperem e conquistem!





Curiosamente vi primeiramente o texto dessa semana, e depois o da semana passada sobre o Niilismo e é interessante de como ambos se complementam entre si.
Hoje somos praticamente escravos de vontade própria. Castrados de senso de beleza, cultura, identidade e do que é bom. A modernidade com sua "bugmanização" e homogenização cansa, isso porque não oferece desafio real e nem mesmo sofrimento, algo que é tão evitado hoje em dia, sendo que na verdade é essencial. Desde as filosofias clássicas, até as sagrada escrituras, nos revelam que a natureza humana necessita de momentos de martírio e até mesmo o próprio Deus encarnado passou por isso, indicando que ninguém está isento dessa situação. Essa ânsia de evitar a dor, a qualquer custo gera necessariamente essa camada de pessoas, que de forma premeditada ou não, são interessantes para projetos perversos de poderes: fracos, alienados, infantilizados e cheios de vícios. Entender a situação e se esforçar para se livrar disso é o primeiro passo para nos livrarmos dessa situação.
Por isso digo que o Vitalismo não é só bem vindo, mas essencial para uma sociedade tão ausente de princípios como nosso. Ninguém, por mais alienado e bestializado que essa pessoa seja, aguenta viver somente de estímulos e prazeres, e uma hora a realidade bate na porta e demonstra que esse estilo de vida é completamente inviável. Eu honestamente prefiro isso do qualquer filosofia barata blackpill, que não constrói absolutamente nada.
Para finalizar, esse ano consumi muitos filósofos da Alt Right americana e vejo como cada vez mais conceitos nascidos dela, vem sendo aplicado de forma gradual na nossa sociedade, acredito que assim como outros termos que surgiram, é questão de tempo para esse do "bugman" também ser aplicado. Racionalizar esse conceito, é fundamental para matarmos aquilo que querem nos tornar, digo isso por experiência própria e provavelmente outros também já passaram por isso.
Grande texto! A inquietude é a essência da juventude, perder isso pelo niilismo da modernidade, além de triste, é antinatural